Ontem foi meu aniversário. Que dia bom! Minha família e nada mais. Quer luxo maior?
Entre os vários presentinhos maravilhosos ganhei o livro "Os cem melhores poemas brasileiros do século" de Ítalo Moriconi. Estão lá Cecília, Carlos Drummond, João Cabral, Alphonsus Guimaraens, Augusto dos Anjos, Leminski... Maravilhosos!
No princípio senti falta de algum poeminha de Catulo da Paixão Cearense, confesso que me entristeci e até achei injusto não ter um trecho sequer, mas depois entendi: este era meu segundo presente.
Todos os meus escritores favoritos estão agora aqui em casa, posso lê-los, eu convivo com eles, eles são meus. Mas Catulo eu não tenho! E mesmo não tendo sei que quando voltar a lê-lo o coração vai ficar novamente enlevado. É belo por que ficou gravado não na memória, mas no peito. Posso continuar amando os poemas que não sei de cor, tendo o prazer de tentar lembrar daquela parte, declamando para mim mesma a parte preferida e esquecendo a seguinte, tentando resgatar do fundo da memória aquele trecho e...não consigo! Que prazer em não ter! Que belo presente ganhei!
Vou ver se me lembro:
"Marruero, eu sou marruero, nacendo cumo tingui..."
"Apois o cabelo dela tão preto pro chão caia e toda fror que botava nos cabelo a fror murchava pensando que anoitecia..."
"mas porém nada é mais grande, mas grande que Deus inté que uma chifrada marruero dos óio de uma mulher..."
Que delícia!
O Dia do Amigo
Há 9 anos

Nenhum comentário:
Postar um comentário